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Brasileiros desenvolvem diagnóstico de câncer com fios de cabelo

22/08/2003 – Folha de São Paulo On line

Um novo método de diagnóstico precoce de câncer busca elementos presentes em fios de cabelo, de acordo com uma pesquisa desenvolvida na Universidade Católica de Brasília (UCB), cujos resultados preliminares serão publicados no fim do ano.

A pesquisa teve início quando um estudo da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern) confirmou que as cidades de Lucrécia, Frutuoso Gomes e Martins, localizadas a cerca de 300 quilômetros de Natal, apresentavam altos índices de casos de câncer –500% a mais se comparados à média estadual.

O problema, cujos primeiros relatos datam da década de 1970, chamou a atenção dos pesquisadores de Brasília, que analisaram a influência de fatores ambientais à incidência de câncer.

A principal fonte de estudo foi a água do açude que abaste as três cidades. A escolha foi feita após eles constatarem que a população de Almino Afonso, cidade a apenas 30 km de Lucrécia, não é abastecida pelo mesmo açude e não apresenta incidência anormal de casos.

Com base nessa hipótese, os pesquisadores iniciaram a coleta de 1.300 amostras de fios de cabelo, de solo, água, sedimentos do açude e peixes.

O cabelo é analisado em três etapas: primeiro o material é colhido e decomposto até se transformar em uma solução. O líquido é então colocado no espectrômetro, aparelho que mede a quantidade de metais presentes e, finalmente, é detectado o nível de elementos-traço (metais em baixa concentração) na amostra.

Segundo o coordenador do estudo, Luiz Fabrício Zara, o cádmio, o níquel e o cromo são alguns dos principais metais que, em grande quantidade no organismo, estariam associados ao aparecimento de tumores.

As comparações das amostras de cabelo das cidades com alta incidência da doença e do município com índices normais possibilitará relacionar que elementos químicos estão associados à doença.

“A grande contribuição do nosso projeto não é a metodologia aplicada, mas o fato de sermos um grupo pioneiro no país que trabalha a relação entre elementos-traço e o câncer, visando um método diagnóstico precoce, não invasivo e de baixo custo”, destaca Zara.

De acordo com ele, o diagnóstico, se utilizado em larga escala, custaria entre R$ 20 e R$ 30. O estudo também permitirá afirmar com segurança se o problema da alta incidência de câncer na região é causado pela concentração de metais na água que abastece as cidades.

A equipe de pesquisa é formada por 20 professores e quase cem alunos de diversas áreas, como química, geologia, engenharia ambiental, física, matemática e psicologia. A UCB já investiu desde 2001, ano em que o projeto foi iniciado, R$ 850 mil.

As estimativas da incidência e mortalidade por câncer no Brasil este ano, elaboradas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, indicam que devem ser registrados no país, até o fim do ano, 402.190 casos e 126.960 mortes. A doença aparece como a segunda mais mortal no Brasil, atrás apenas dos distúrbios cardiovasculares.

Com Irene Lôbo, da Agência Brasil